Certo dia em meio a risos, numa brincadeira com pontinha de verdade de uns amigos, escutei a seguinte frase: “posso ter carinha de novo, mas por dentro to podre”.
Aquilo me chamou a atenção para reflexão e me dei conta de que eu também estou podre.
É isso mesmo, podre!
Mas não podre no sentido de que já pode jogar fora, pelo contrário, podre porque vivi um quarto de século mas parece que vivi pelo menos meio século.
Esta podridão a que me refiro se deve as pessoas que fizeram parte do meu crescimento, não só de estatura, mas espiritual, que formaram a minha essência, que me ensinaram a escutar, me deram meios para que certos entendimentos fossem claros sobre a vida, ou se não fossem claros, que os questionamentos fizessem esclarecer com o tempo.
Pessoas que pregavam com o olhar e as atitudes e não somente com palavras.
Que já não estão mais aqui, mas que em mim tem um pouco de si.
E de tão podre que me transformaram, vêem sim minhas angústias diante de tanta miséria, injustiça, devastação da natureza, escassez da dignidade, desigualdade, desamor e todo o mau que consome o mundo em forma de seres humanos! Mas a reverso disto vêem também a minha vontade de viver, com a filosofia de que se não dá certo aqui, vai dar logo ali e o importante é o que você está fazendo do seu dia a dia e a quê e a quem você dá valor, e mesmo estando podre, há muito que se escutar e aprender nesse mundo, sempre acreditando que a felicidade está na mais pura simplicidade.
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