A importância da educação é um tema constante dos discursos dos candidatos e dos ocupantes de cargos públicos. No entanto, nos diversos níveis administrativos, a questão educacional raramente recebeu um tratamento competente e consequente.
A educação, segundo a socióloga e educadora Bárbara Freitag “sempre expressa uma doutrina pedagógica a qual explícita ou implicitamente se baseia numa filosofia de vida, concepção de homem e de sociedade”. A educação contribui para a reprodução e a manutenção da ideologia e do sistema econômico dominante numa sociedade.
Assim sendo, no Brasil, a educação é um dos instrumentos que possibilita a reprodução de um modelo capitalista subdesenvolvido, associado, dependente e excludente. A prática educacional brasileira reflete uma doutrina pedagógica baseada numa filosofia de vida individualista, competitiva, consumista e excludente, que leva a uma aceitação passiva do domínio do mercado e do dinheiro. Desde a educação ministrada pelos jesuítas no período colonial até hoje, nosso sistema educacional tem sido conduzido pelas elites para atender aos seus interesses.
Duas questões são fundamentais quando se pensa na educação: educação para quem e para que?
Nesse sentido, com base na primeira indagação, afirmamos que a educação deve ser assegurada a toda a população. Deve atender à maioria que é pobre e miserável. Para isto é necessário uma educação pública, gratuita e de qualidade em todos os níveis de ensino, desde a pré-escola até a pós-graduação.
E a questão da qualidade da educação está relacionada a outra questão: educação para que?
Assim, deve haver uma educação que possibilite a auto-realização do ser humano; que lhe permita entender o processo histórico, a evolução da humanidade; que lhe permita compreender as causas fundamentais das injustiças econômicas e sociais do mundo hodierno; que lhe possibilite condições de participar consciente e ativamente na luta em busca de novas formas de organização da vida econômica, política e social; que lhe proporcione capacitação profissional para que possa viver com dignidade. Uma educação voltada para a emancipação humana, onde o ser humano, tendo consciência de si e da realidade, possa construir a história, livre de qualquer opressão.
Na história da educação brasileira, somente em raros e rápidos momentos tivemos políticas educacionais conduzidas por educadores que efetivamente estavam preocupados com a implantação dessas diretrizes. Destaca-se aqui, o papel desempenhado por Anísio Teixeira, Darcy Ribeiro e Paulo Freire.
As crises do socialismo e do capitalismo tornaram ainda mais difícil e complexa a questão educacional em todos os países. No entanto, não se pode desanimar e continuar esperando que os modismos e as regras do mercado manipulem o processo educacional. A sociedade brasileira precisa EVOLUIR e superar os graves problemas e injustiças sociais. É preciso discutir e elaborar um Projeto para o Brasil. Para isto são fundamentais uma Filosofia e uma Política educacionais voltadas para este objetivo, que possam motivar e orientar a formulação e implantação deste Projeto.
E assim, cabe também aos EDUCADORES brasileiros, por intermédio de suas associações e órgãos representativos, continuarem na luta por uma educação pública, gratuita e de qualidade, com a implantação de diretrizes e processos educacionais comprometidos com uma educação libertadora.
Por Radjalma Cavalcante
Educadores, a responsabilidade também é nossa, vamos evoluir.
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Criado em 27/10/2009 11:44
Adorei o texto, no entanto, discordo um pouco da ideia da escola aberta obrigatoriamente para todos. Calma!!! Vou explicar... Educação é para formar cidadãos, e é para quem quer estudar, na minha opinião. A ideia de escola gratuita desvaloriza o sistema, acredito que poderiam cobrar um valor simbólico e premiar com a gratuidade, alunos com bom comportamento. Obrigar a permanecer na escola, quem nada quer com ela, fazendo com que bons alunos se percam é um erro político (como sempre). Acredito sim que deva existir igualdade de oportunidade, que a escola deve estar aberta a todos e incluindo a todos, mas deve ser uma questão de merecimento por parte dos alunos e de sua família. É uma forma eficiente de valorizar a escola e os profissionais que nela atuam, garantindo a qualidade do ensino, porque infelizmente a qualidade do ensino está gradativamente se perdendo por conta da indisciplina e desvalorização do profissional que nela atua. Todo esse problema acumulado é culpa do governo sim, que inventou que o aluno é obrigado a estudar, que fica dando bolsas de todo tipo, sustentando vagabundo, e o merecimento fica onde??? . Não sei se esta é a vontade de nossos governantes, que cada vez mais tenhamos cidadãos ignorantes e passivos ou se falta inteligência neles(kkk). Precisamos recuperar a qualidade!!!
ResponderExcluirAbraço!!!